Entenda a diferença entre João Amoêdo e Bolsonaro.

Qual a diferença entre Amoêdo e Bolsonaro?

É necessário entender a diferença entre João Amoêdo e Jair Messias Bolsonaro se quisermos compreender a divisão que esses dois nomes causaram na direita brasileira.

João Amoêdo se posiciona como liberal com tendências ao libertarianismo. Este candidato é um dos fundadores do Partido NOVO que tem como principal proposta a diminuição drástica da intervenção estatal na economia e na vida dos brasileiros.

Jair Bolsonaro é candidato pelo PSL. Bolsonaro está na política há cerca de trinta anos. Portanto, não representa algo inovador, mas pode sim, representar uma grande mudança na política do país. Ao contrário de Amoêdo, não tem passado nem raiz liberal, apesar de apresentar algumas propostas neste sentido influenciado pelo seu economista, o já conhecido Paulo Guedes.

Ambos os presidenciáveis podem trazer consideráveis avanços para o Brasil. Representam o renascimento da direita no país e podem, ao se enfrentarem, acabar com a hegemonia da esquerda nos âmbitos cultural, econômico e político da nação.

Então vamos entender quem são eles.

O Liberal João Amoêdo

João Dionísio Filgueira Barreto Amoêdo é oriundo do mercado financeiro. Trabalhou em diversos bancos, inclusive no exterior. Daí sua admiração pelo liberalismo econômico e sua indignação pela intervenção estatal. Tem recebido muitas críticas pelos eleitores de Jair Bolsonaro, pois estes perceberam que a direita poderia (e foi) dividida.

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Propostas de Amoêdo

Como bom liberal pretende transferir poder do governo para o indivíduo. Em seu plano de governo o liberalismo econômico é enfatizado com frequência. Inclusive, há no documento, em todos os tópicos, objetivos a longo prazo pretendidos pelo partido. Saliento, dentre outros, a meta de por o Brasil entre os 40 primeiros tanto no Índice de Liberdade Econômica quanto em Facilidade de Fazer Negócios. Isto seria um senhor avanço no sentido da prosperidade, visto que os países mais ricos do mundo são aqueles que proporcionam facilidades para abertura de empresas e se intrometem pouco na vida de seus cidadãos. João conta o economista Gustavo Franco como seu assessor para assuntos desta esfera.

João é a favor da reforma trabalhista e da previdência, bem como manutenção e melhoramento do bolsa-família até se tornar desnecessária a sua existência.

Você pode ler o plano de governo de Joâo Amoêdo aqui

Ainda no sentido de facilidades para empreender, O candidato propõe como meta um elevado grau de segurança jurídica. Há poucas semanas, quando Lula ainda poderia, em tese, ser um candidato, notamos uma alta relevante do dólar após pesquisas apontarem o petista como líder das pesquisas. Isto se deve à insegurança jurídica, o que afasta investimentos do país, pois quem quer investir quer saber se as leis não mudarão a todo momento e não proporcionarão, assim, instabilidade monetária.

Segurança Pública

Para este setor, Joâo Amoêdo pretende, a longo prazo, reduzir a taxa de homicídios para 10 a cada 100 mil habitantes (atualmente é de 30). Outra proposta do candidato do Partido NOVO nesta esfera é um plano de carreira policial com maior ênfase na meritocracia para estimular os profissionais de segurança pública a sempre atingirem resultados de excelência.

Uma ideia interessante de Amoêdo é a privatização dos presídios brasileiros. Segundo ele, esta medida seria bastante eficaz para melhorar a gestão, sabidamente falida atualmente, do sistema carcerário.

No que tange ao Estatuto do Desarmamento, João diz ser contra e ressalta que o porte de armas para o cidadão de bem não pode ser vista como uma ferramenta de combate ao crime organizado, estando, desta forma, relacionado a liberdade individual de legítima defesa.

Saúde e Educação

Para estas esferas, além do discurso mais do que conhecido de investimentos na área, Amoêdo propõe o uso de vouchers, o qual seria similar ao já em uso bolsa-família.

O cidadão receberia uma verba relativa ao seu poder aquisitivo e a usaria livremente as instituições da iniciativa privada. Esta medida aumentaria a concorrência no setor, gerando excelência na prestação dos serviços, e diminuiria gradativamente a necessidade da existência de instituições públicas. A longo prazo isto reduziria o gasto do governo nestes setores.

Agenda 2030 da ONU

Ultimamente João Amoêdo vem sendo duramente criticado por ser um esquerdista “camuflado” em virtude de suposições sobre seu apoio ao globalismo da ONU.

Tudo começou quando uma integrante do partido, Janaína Lima, defendeu que o município de São Paulo se enquadrasse nas recomendações do referido documento. Porém, pouca gente sabe que Janaína foi duramente criticada pelos próprios companheiros partidários por tal postura.

Leia a Agenda 2030 da ONU aqui

As críticas se intensificaram quando o candidato disse que não faria sentido o Brasil ser o único país integrante da ONU a não assinar a Agenda 2030. Alegação esta, que faz bastante sentido, já que o documento impõe apenas objetivos e não meios para tal. Não seria nenhum absurdo dizer que todas as metas podem ser atingidas através do capitalismo.

Chances de vitória

João Amoêdo representa uma nova política para o país. Entretanto sua campanha na internet pode ter começado um pouco tarde.

Apesar disto, sua aceitação é bastante positiva em meio aos eleitores que se intitulam de direita, especialmente aqueles com maiores oportunidades de instrução.

As pesquisas apontam um segundo turno improvável. Porém, muitos eleitores de Bolsonaro o reconhecem como a melhor opção e não lhe dão os seus votos por acreditarem que ainda não seja sua hora. Fato interessante é que se estas pessoas votassem em Amoêdo as chances de segundo turno entres os dois candidatos de direita aumentariam significativamente.

O moralista Jair Messias Bolsonaro

Bolsonaro representa a resposta da massa ao problemas crônicos da nação. Não necessariamente é a ideal, isto depende do julgamento de cada um. Mas, certamente, ele expressa o que muitos brasileiros querem dizer.

Confirmando a teoria de que quando um extremo é atingido a solução, muitas vezes, é vislumbrada no outro extremo, os brasileiros transformaram este candidato num fenômeno de popularidade.

Jair detém muito conhecimento político por estar a cerca de 30 anos na vida pública. Porém, lhe falta muitos conhecimentos técnicos necessários ao cargo que concorre. Verdade seja dita, ele está compensando esta falha em grande proporção ao reunir uma equipe de assessoramento extremamente competente e gabaritada.

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Plano de governo

Seu plano oficial de governo, nas primeiras páginas, é carregado de nacionalismo e valores morais.

Conforme a leitura discorre começamos a notar detalhes técnicos bastante interessantes e pertinentes. Certamente foi revisado pela sua excelente equipe de (provável) governo.

Você pode ler o plano de governo de Jair Bolsonaro aqui

Assim como João Amoêdo, Jair Bolsonaro simpatiza com as reformas trabalhista e previdenciárias. E ao contrário de seu oponente, destrincha com mais detalhes estas questões nas suas propostas oficiais de candidatura.

Mais uma vez, a exemplo de Amoêdo, é a favor da livre iniciativa e mercado e pretende transferir poderes do governo para o cidadão, apesar de, aparentemente, numa menor proporção.

Economia no governo Bolsonaro

Este tópico é polêmico no que tange à campanha de Bolsonaro. O candidato sempre se mostrou (e sempre admitiu) ser inepto nesta questão. Sua resposta, muito coerente por sinal, é dizer que Lula não sabia ler nem escrever e que, também, ele não precisaria cursar medicina para tomar decisões na esfera da saúde.

Inicialmente avesso à privatizações em larga escala, vem mudando de ideia por influência de seu assessor para assuntos econômicos, Paulo Guedes.

Este economista já admitiu publicamente ser favorável à privatização de todas as estatais em todas as esferas.

No vídeo acima, Paulo, oriundo da linha da Escola de Chicago,  apresenta um plano econômico bastante coerente para a realidade do país.

Combate à violência urbana

Esta questão, com certeza absoluta, foi a grande força motriz de sua popularidade. O Brasil sofre com índices de violência a níveis galopantes cujo resultado é fruto de anos de negligência com a questão.

O ponto divisor de águas que fez Jair Bolsonaro cair nas graças da população foi em uma audiência pública na presença de integrantes dos direitos humanos em Brasília.

O candidato defende castração química para estupradores (muita polêmica com Maria do Rosário), além de leis consideravelmente mais rígidas. Devemos admitir que o povo prioriza muito mais esta questão do que assuntos econômicos ou de infraestrutura, pois o instinto de defesa prevalece sobre todos estes.

Bolsonaro promete ser a solução para que a paz seja retomada nas ruas brasileiras.

Bolsonaro x China

Este é um tópico onde Jair Bolsonaro leva vantagem em relação a João Amoêdo. Ao contrário do seu adversário, Jair percebe e promete combater a influência comunista no Brasil. Algo que merece nossos elogios.

Acredita ser preocupante o montante de investimentos chineses em questões, que ele julga, estratégicas para a defesa nacional. A quem ache um exagero estas declarações, mas é inegável que não é nada absurda.

Segundo matéria da revista americana The New Republic, a China exerce grande influência no meio acadêmico americano, a ponto de controlar declarações de professores americanos sobre o país asiático ao preço de encerramento de contratos e oportunidades de carreira. É algo que realmente devemos estar atentos.

Inovação nas leis trabalhistas

Seu programa de governo traz uma ideia interessantíssima no que tange a CLT. O candidato (ou sua equipe) propõe a criação de uma carteira de trabalho alternativa cujo uso os envolvidos, empregadores e empregados, estariam se comprometendo a se abster de legislações trabalhistas baseando, desta forma, suas relações trabalhistas, apenas ao contrato assinado por ambas as partes.

Esta medida representa uma mudança gradual da legislação trabalhista em vigor que só dificulta a vida dos empresários e enriquece o governo. Quem sabe no futuro a justiça do trabalho seja extinta pela simples constatação do prejuízo que causa.

Estado laico ou não?

Art. 5º […]
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias.

O artigo citado acima garante a liberdade religiosa de todos os brasileiros. Mas adiante, também na nossa carta magna diz:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvenciona-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.

Possivelmente não resta dúvidas a ninguém de que nosso estado é sim laico.

Entretanto, Bolsonaro carrega seus discursos de valores cristãos e diz, no vídeo abaixo, a uma multidão que “o estado não é laico coisíssima nenhuma”.

Este episódio levantou sérias dúvidas em relação ao caráter democrático do candidato, bem como de suas intenções democráticas. É de extrema necessidade que nós tomemos cuidados para não sermos tão doutrinários quanto a esquerda  nos diferenciado, apenas, por estarmos no lado oposto.

Conclusão

O que podemos concluir é que ambos representam uma excelente arma contra a esquerda e podem transformar a forma como os brasileiros lidam com a política.

Fica a impressão que João Amoêdo, por falar a mesma voz da imensa maioria do seu partido e assessores, representa uma solução mais branda e mais sólida, ao passo que Jair Bolsonaro parece ser uma resposta bem mais incisiva, porém efêmera em virtude da influência exercida por parte dos seus assessores sobre o mesmo.

Cabe a cada um de nós decidir qual das duas opções precisamos mais neste momento.

Certamente o ganho mais positivo seria tirar do imaginário popular que o estado é o nosso pai salvador. Ano após ano, eleição após eleição, formou-se na cabeça do povo duas afirmações extremamente nocivas ao progresso:

Tudo o que eu não conseguir comprar com o fruto do meu trabalho o governo tem que me dar;

Tudo o que eu conseguir comprar com o fruto do meu trabalho, ou receber do estado, o governo tem a obrigação de não me deixar perder.

Estude o seu candidato, dissemine as ideias que lhe forem mais convenientes e não ache que votar no melhor é desperdiçar voto. Vote de consciência tranquila e ajude o nosso Brasil a terminar esse ciclo de renascimento da democracia iniciado ao fim do regime militar e que foi interrompido por décadas.

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