cabo-daciolo

A internet fez do debate um simples entretenimento

Praticamente todo o discurso presidenciável já havia sido ouvido através da internet. Portanto, o debate presidencial perdeu, em certa medida, sua relevância. A tendência é que aconteça o mesmo com o horário eleitoral gratuito.

Não importa se você é de direita ou de esquerda. Com certeza você não ouviu nada de novo com relação ao seu candidato na noite de 9 de agosto de 2018. Vídeos compartilhados pelo WhatsApp e redes sociais transformaram esta corrida pelo Planalto a mais longa da história da república. Estamos, praticamente, vivendo esta eleição desde 2016. Qual a explicação?

Simples! A descentralização dos meios de comunicação causada pela grande rede de computadores. A TV e o rádio não possuem mais o monopólio da informação e de sua disseminação. Hoje, a mentira contada pelo político em rede nacional é desmentida em questão de horas no seu celular, e você, por sua vez, a compartilha em minutos.

É bem possível que a grande audiência do evento tenha se dado em virtude da expectativa de troca de farpas entre os candidatos. Fato este que não ocorreu em grande medida, (in)felizmente.

É bem verdade que alguns candidatos não eram tão conhecidos assim apesar da eficiência da era digital. Cito, como exemplo, o candidato Cabo Daciolo do Patriotas. Quem não exclamou um grande “O que é isso?” quando o viu falando em tom elevado e desconexo na televisão? Exceções à parte, Foi tudo mais do mesmo.

Além da tão sonhada renovação política, a forma de entender política foi transformada pela internet. É um meio de comunicação de extrema capilaridade, não sofre intervenção estatal e que pode ser usufruído On Demand. Ou seja, podemos assistir o que quisermos na hora que bem entendermos em caso de perda da transmissão ao vivo.

Facilmente percebemos que ela é tudo que o Estado não quer. Qualquer tipo de doutrinação, declaração ou evento recebe, imediatamente, diversas contestações e contraprovas. Agora o governo, além de dizer, tem que provar(ou, pelo menos, aperfeiçoar bastante a técnica de mentir). Talvez, no futuro, a destruição criativa se encarregue de reduzir as grandes e tradicionais emissoras de TV atuais a canais do YouTube e similares, submetendo-as a acirrada concorrência. Seria o fim dos acordos entre governo e imprensa. Quem ganha sou eu e você.

Possivelmente, por este motivo, o candidato João Amoedo do Partido Novo não foi convidado pela Band para participar do debate. Este empresário prega o fim dos privilégios(residência e carros oficiais, inclusive), pouca ou nenhuma intervenção estatal na economia e nos costumes do povo, bem como privatização das estatais para acabar com a estabilidade do serviço público e sua, consequente, improdutividade.

Felizmente o seu pouco tempo de televisão no famigerado horário político pode não impedir a todos de conhecê-lo melhor, dado o exposto acima.

Se você gostou deste impacto causado pela internet, por que não acharia interessante que o mesmo ocorresse, de forma análoga, nos demais setores da sociedade? O medo de perder maior do que a vontade de ganhar nos impede de pensarmos “fora da caixa”. Há tempos que o imaginário popular se restringe apenas às soluções oferecidas pelos políticos que não querem, por nada, deixar o poder. Saia da zona de conforto e aceite o futuro.

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4 comentários

  1. Muita tecnocracia demagógica, promessas e por parte de alguns, soluções imediatas para assuntos que sabemos ser de longo prazo.
    O candidato Bolsonaro pelo menos, não prometeu nenhum milagre político de imediato nem se expôs ridiculamente como Salvador da patria

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