Jair Bolsonaro escolheu um general como vice

O perigo de ter um general como vice

O assunto da última semana foi Jair Messias Bolsonaro, candidato a presidência pelo PSL. Tal fato ocorreu em virtude de suas entrevistas na Rede Cultura e na Globo News, onde o presidenciável foi bombardeado mais com críticas sobre seu passado do que com perguntas úteis sobre seu plano de governo.

Não apenas nestes programas de TV, como também pelas ruas, o candidato é conhecido pelo seu apoio ao governo militar brasileiro(1964-1985) e, por conta disto, há o receio de que Bolsonaro nos faça reviver uma nova ditadura.

Se isso é possível ou não, o tempo nos dirá, mas há um fator que pode jogar contra o candidato: a escolha do General da Reserva, ex-chefe da Secretaria de Economia e Finanças do Exército Brasileiro, Antonio Hamilton Martins Mourão. Este militar se tornou nacionalmente conhecido pelo seu pronunciamento público na Loja Maçônica Grande Oriente em setembro de 2017(quando ainda estava na ativa), onde discorreu sobre a possibilidade, prevista na Constituição de 1988, de intervenção militar em caso de desordem.

Se por um lado os seguidores de Bolsonaro enalteceram a escolha do militar como vice-presidente em virtude da ideia de ordem intrínseca a imagem do exército, por outro, isto fortaleceu o argumento da oposição de que ele está realmente planejando instaurar um regime totalitário a partir de 2019.

Hamilton_Mourão

É compreensível que suas opções estavam se esgotando após as negativas de Janaína Paschoal e do Príncipe Luiz Phillipe de Orleans e Bragança. Mas escolher um cidadão que fortalece o estereótipo de ditador, em detrimento a alguém que represente um contrapeso à sua fama, realmente não foi uma ideia das mais prudentes. Certamente a esquerda abordará este fato e o somará a seus muitos vídeos de apoio à tortura de criminosos. Tempo para isto não faltará, pois os opositores tem infinitamente mais tempo de televisão do que o candidato de direita. Será que Jair Messias Bolsonaro se atentou a este detalhe?

O interessante é que este risco pode, justamente, representar o ápice de sua popularidade. Basta reconhecermos que a população não urge por explicações sobre interrogatórios realizados pelo exército nem se preocupa com dívida histórica com afrodescendentes. O “fenômeno” Bolsonaro é o que é porque representa respostas(equivocadas ou não) aos questionamentos de cada brasileiro ao sair para trabalhar: serei assaltado hoje? Volto vivo? Quando vou parar de pagar tantos impostos, ou pelo menos, quando estes serão revertidos em serviços de qualidade?

A verdade é que os brasileiros passam por um período de crise de referência. A população divide-se hoje entre fanáticos e desiludidos com a política. Ninguém vislumbra um futuro recente muito melhor do que o cenário atual. A evasão de trabalhadores para o exterior e o desemprego só aumentam e, num ritmo inversamente proporcional, a moeda se desvaloriza. Isto tudo se desenrola em meio a uma confusão entre patriotismo e nacionalismo. Algo bastante prejudicial, diga-se de passagem.

Será que a esquerda, após anos de críticas à ditadura militar, será derrotada pela democracia dos homens de farda? Reflita sobre cada candidato e faça parte, conscientemente, desta decisão.

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